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“Precisamos conscientizar a população sobre os efeitos dos agrotóxicos”

 

23 de setembro de 2010
Por Vanessa Ramos
Da Página do MST
Os prejuízos causados à saúde com a utilização exagerada de agrotóxicos ainda são desconhecidos pela maioria da população e pouco discutidos pela sociedade. Por isso, mais de 20 entidades lançaram a campanha nacional contra o uso dos agrotóxicos, na semana passada.

Durante três dias, essas entidades participaram do seminário contra o uso dos agrotóxicos, organizado pela Via Campesina, em parceria com a Fiocruz e a Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio.

Na atividade, os participantes fizeram um estudo sobre os impactos dos agrotóxicos na economia agrícola nacional, na saúde pública e no ambiente. A partir dessas discussões, a campanha tirou como eixos de atuação informar a sociedade sobre os efeitos da utilização desse “agroveneno” e apresentar uma nova proposta para a agricultura.

Roseli de Sousa, da direção nacional do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA) e da Via Campesina, afirma que a meta da campanha é “denunciar esse modelo de produção agrícola, as causas desse veneno e alertar sobre quantas pessoas hoje estão doentes, sobretudo, com câncer, em função do uso desses venenos”.

A seguir, leia abaixo a entrevista, concedida à Pagina do MST.

Como você avalia o seminário contra o uso dos agrotóxicos?

O seminário dos agrotóxicos foi um grande passo contra o uso exagerado de venenos na agricultura brasileira. O Brasil já é campeão em consumo de venenos, em consumo de agrotóxicos. Isso gera grandes danos à saúde da população. Nesse momento, em que há grandes avanços do agronegócio, o seminário foi de extrema importância, já que o veneno é parte desse modelo de desenvolvimento de agricultura. Além disso, conseguimos reunir quase 30 entidades e organizações de diversos setores da sociedade. Isso é um grande avanço na tentativa de conscientização contra esse modelo agrícola.

Quem são os maiores prejudicados pelo o uso do agrotóxico na agricultura brasileira?

Quem produz, como os camponeses, os agricultores, os assentados, sofre um efeito maior porque está em contato direto com o veneno. Mas também a população em geral, que consome um produto que não é de boa qualidade, é o maior prejudicado. Assim, as doenças aumentam e aparecem cada vez mais. E quem lucra com isso tudo, sem dúvida, são as empresas.

Quais os objetivos da campanha

O grande objetivo da nossa articulação contra o agrotóxico e do seminário em si é conseguir traçar um plano, uma estratégia de combate a esse modelo agrícola e ao grande uso de veneno no Brasil. A partir disso, essas articulação vai resultar na campanha nacional contra o agrotóxico no Brasil.

Como será realizada?

A nossa campanha terá dois eixos. O primeiro tem como meta denunciar esse modelo de produção agrícola, as causas desse veneno e alertar sobre quantas pessoas hoje estão doentes, sobretudo, com câncer, em função do uso desses venenos, além de como é que esse veneno tem sido uma das formas do agronegócio ganhar dinheiro. O que as empresas lucram vendendo o veneno é muito grande. Dessa forma, um dos eixos da campanha será a denúncia desse modelo.

E o segundo eixo da campanha?

Vamos anunciar o que queremos para a sociedade, dentro de um outro projeto de desenvolvimento para a agricultura. Assim, devemos almejar um desenvolvimento baseado na agroecologia, na agricultura saudável, na produção de alimentos para toda a população. Baseado também numa outra sociedade com outros tipos de valores, que valorize uma educação e uma saúde diferente. Certamente, a nossa campanha terá esses dois eixos: denúncia contra o modelo agronegócio e anúncio de qual sociedade nós queremos para o futuro.

Quais setores da sociedade podem se somar nessa luta?

Nós já temos engajados nessa luta os movimentos sociais da Via Campesina, centrais sindicais, setores das universidades, médicos, organizações não governamentais (ONGs). Tivemos também a presença muito importante da atriz Priscila Camargo no seminário. Ela representou os artistas e se colocou à disposição para ajudar a fazer esse grande debate no meio dos artistas. Temos também o apoio da Fiocruz, sobretudo da Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio da Fiocruz. Passaram pelo seminário diversos pensadores e professores, que nos ajudaram e que estão se engajando nesse debate. Nós queremos convidar não só esses, mas todos os setores da sociedade para fazer parte desse grande debate, dessa grande conscientização para de fato darmos um outro rumo para a nossa agricultura brasileira.

Como a sociedade pode se informar sobre o tema dos agrotóxicos e participar da campanha?

Em breve, nós teremos um site e um blog no ar. Os interessados também podem procurar nossos veículos de comunicação de apoio, como o Brasil de Fato, que vai elaborar matérias específicas sobre o tema, além dos movimentos sociais ligados à Via Campesina. Nos seus espaços de trabalho, de militância e de atuação, devem procurar informações sobre as causas dos venenos e ajudar nessa grande conscientização. O dia 16 de outubro é o Dia Internacional dos Alimentos. É um dia também em que a gente quer fazer debates e ações contra esse modelo e a favor da produção saudável. Certamente, terão outros meios que, logo assim que a gente estruturar melhor a campanha, vai estar à disposição de toda a sociedade a fim de se somar a esse grande debate.

Quais serão as ações a serem realizadas no Dia Internacional dos Alimentos?

É tradição da Via Campesina Brasil e Internacional fazer grandes debates em torno dos alimentos saudáveis no dia 16 de outubro. Os estados e os movimentos nas suas regiões devem promover debates e ações. Vamos fazer também 5º Congresso da Coordenação Latino Americana de Organizações do Campo (CLOC), no Equador. Por isso, o dia 16 vai ser um dia de grande debate em toda a América Latina.

Qual a nossa tarefa para o próximo período?

Fica a grande tarefa de entender de fato quem são os grandes prejudicados com o uso de agrotóxico. Enquanto as empresas como a Bayer, a Monsanto, a Syngenta, além de outras, ganham tanto dinheiro, a população está condenada a morrer por doenças adquiridas em função do uso dos agrotóxicos. Neste contexto, o seminário representou passos que devem ser continuados. Cada indivíduo desse país precisa fazer a sua parte. Cada um de nós precisa ajudar a desconstruir esse modelo de produção agrícola e construir outro modelo de sociedade, baseado na agroecologia, baseado na vida humana. Nós queremos uma agricultura camponesa que preserve os recursos naturais e que resgate as práticas camponesas de cultivo, que está comprometida hoje com o bem estar de quem produz e de quem consome o alimento. Nós só vamos ter um outro modelo de sociedade se conseguirmos fazer a Reforma Agrária.

Retirado em 23/09/2010 do site www.mst.org.br


53º Congresso Nacional dos Estudantes de Agronomia


O Congresso Nacional dos Estudantes de Agronomia (CONEA) é um evento que ocorre anualmente e este ano será realizado na Cidade de Santa Maria entre os dias 25 de Julho e 1° de Agosto de 2010, que aguarda ansiosamente a participação dos estudantes de Agronomia e demais interessados de todas as regiões do país.

O (CONEA) é o fórum máximo de representação dos estudantes de Agronomia onde se discutem questões inerentes ao curso, educação, meio ambiente, questões sociais dentre outros, avaliando e apontando perspectivas. Possui caráter deliberativo visando contribuir para a solução dos problemas levantados no evento.

A promoção do CONEA está a cargo da Federação dos Estudantes de Agronomia do Brasil (FEAB), e a organização é de responsabilidade da entidade estudantil da escola sede e Coordenação Nacional, respectivamente, estudantes das universidades federais de Santa Maria (UFSM) e Paraná (UFPR) contando com o apoio das Associações Profissionais de Agronomia e entidades afins, da universidade sede, órgãos públicos, cooperativas da região, bem como os demais centros acadêmicos e organizações da escola sede, além do envolvimento de toda a Federação, lembrando que para tal, é necessário apenas o empenho e vontade dos estudantes de construir e trazer propostas para a FEAB

O 53° CONEA tem como tema principal “As Contradições do Campo e a Necessidade de Transformação na Universidade”. Dentro desta temática a proposta é fazer um debate referente a questão agrária procurando trazer um resgate histórico de como se deu esse processo no Brasil desde o período colonial até a atual situação em que se encontra a agricultura no país. Dentro deste contexto, o caráter desta discussão é fazer uma análise crítica dentro da proposta de modelo de agricultura que está colocada no cenário nacional. O CONEA também terá um debate sobre a universidade e de qual o conhecimento que esta produz. Apontar as problemáticas e possibilitar o diálogo com os estudantes, que são os principais protagonistas e sujeitos que devem opinar visando uma nova proposta de universidade: democrática, popular e de qualidade. Por conta disso, este debate deve fazer parte da vida dos estudantes para que estes empenhem-se por reivindicações a fim de propor uma universidade que estimule o aprendizado e dialogue com as entidades e movimentos sociais, para que juntos consigamos contribuir por uma sociedade mais justa e igualitária.

O Congresso abrange também atividades que visam a integração cultural das escolas da Federação a partir de discussões e apresentações, onde os estudantes de regiões distintas do país apresentam sua cultura regional, as chamadas agrocanções.

O Congresso é um espaço para se conhecer novas pessoas, visitar diferentes lugares e fazer novas amizades. Dentro disso, através do diálogo, conseguimos abordar assuntos que dizem respeito a nossa formação agronômica enquanto estudantes de Agronomia preocupados em transformar a realidade agrária, contribuindo sobretudo, com os menos favorecidos desta sociedade.

A escola de Santa Maria convida com enorme satisfação os estudantes de Agronomia e simpatizantes de todo o Brasil para o 53° CONEA. Pedimos que preparem seus corações e mentes e venham se aquecer no calor de nosso Congresso, que construam suas discussões internas e que contribuam com toda a disposição para nossa federação. HÁ BRAÇOS!

COMISSÃO ORGANIZADORA DO 53° CONEA

Texto enviado pela Comissão Organizadora do 53º CONEA, para publicação n’O Cerradão – o Jornal Informativo da Agronomia da UFMT Cuiabá.